Como os poliglotas podem assistir filmes com suas namoradas? | Natural Language Institute

Como dominar um idioma para a vida inteira

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Como os poliglotas podem assistir filmes com suas namoradas?

(ou namorados, cônjuges, filhos etc.)

By Victor - 01/may/2021 #Línguas e Educação

Para dominar um idioma para a vida inteira, você deve assistir filmes e séries no idioma que estuda e não na sua língua nativa, sempre que possível. No entanto, essa ideia traz alguns dilemas.

Primeiro, o que fazer se a maioria do conteúdo que você quer assistir for produzido no seu idioma nativo? Esse problema é especialmente recorrente para falantes nativos de inglês, como eu, pois uma grande quantidade de produção cinemática de alta qualidade é produzida em inglês.

Segundo, o que fazer se as pessoas com quem você gosta de assistir a programas e filmes não falam o seu idioma alvo e não têm interesse em aprendê-lo?

Na semana passada, eu tive alguns insights linguísticos que podem ajudar responder essas perguntas e que se encaixam bem nessa série de posts sobre a escuta.

Antes de responder à pergunta do título deste post, vamos abordar o primeiro dilema.

Dilema no. 1: o conteúdo que você deseja assistir está no seu idioma nativo

Já afirmei anteriormente que é melhor assistir conteúdo que foi produzido originalmente no seu idioma alvo, porque é uma experiência linguística mais rica e autêntica. Desse modo, você também faz imersão na cultura associada que, por sua vez, favorece a aquisição linguística, uma vez que a linguagem e cultura são estreitamente ligadas. Mantenho essa posição: você perderá uma grande oportunidade cultural se deixar de consumir cinema e televisão dos países onde a língua que você estuda é falada.

No entanto, essa abordagem culturalmente autêntica pode ser combinada com uma estratégia contrastante, que efetivamente resolve o primeiro dilema. Permita-me explicar por meio de um exemplo.

Estou, atualmente, me esforçando para dominar o francês, e já criei o hábito de assistir conteúdo nesse idioma quando quero relaxar. Nos últimos meses, já apreciei vários filmes em francês, além de algumas séries. Na semana passada, porém, fiquei sem ideias de conteúdos originais produzidos em francês que me dessem vontade de assistir. Por outro lado, tinha muita vontade de assistir ao Gambito da Rainha, pois gosto muito de xadrez, e meus alunos de inglês tinham elogiado bastante essa série.

Decidi fazer a experiência de assistir a série dublada em francês, e me surpreendi com o quanto conseguia entender e, especialmente, com o quanto a apreciei.

Meu preconceito contra conteúdos dublados está diminuindo. Claro, trata-se de uma forma menos autêntica, culturalmente, de melhorar meu francês e de apreciar uma série de qualidade, mas a combinação de poder assistir aquilo que me dá vontade e de obter muitas horas de treino de compreensão auditiva em francês supera essas considerações sobre autenticidade. Estou realmente gostando da experiência.

Resumindo, minha recomendação é a seguinte: assista filmes e séries produzidas originalmente no seu idioma alvo sempre que você os encontrar e estiver motivado a fazê-lo; em outros casos, simplesmente assista o que você mais aprecia dublado nesse idioma.

Dilema no. 2: seu companheiro de filmes não está estudando seu idioma alvo

Irei abordar esse segundo dilema também compartilhando uma experiência pessoal.

No final de um longo dia de trabalho, o que mais sinto vontade de fazer é relaxar com minha namorada. Ela é brasileira e começou a aprender inglês – a partir do zero – há um ano. Está fazendo um bom progresso, e atualmente tem um nível intermediário. Uma vez que segue diligentemente o método Natural, ela prefere assistir filmes em inglês.

Como um casal de poliglotas (em formação), frequentemente nos deparamos com o que suponho ser um desafio universal entre casais poliglotas: como podemos assistir conteúdo juntos se estamos estudando línguas diferentes? (O mesmo dilema ocorre quando uma pessoa de uma família está tentando aprender um idioma estrangeiro, enquanto outra não tem interesse).

Já tínhamos improvisado soluções criativas antes: por exemplo, assistimos 6 temporadas de Un Village Français com o áudio original em francês (para eu treinar a escuta) e legendas em inglês (para ela treinar a leitura).

Porém, nos superamos com a solução que encontramos essa semana. Ambos temos contas na Netflix, então cada um, separadamente, carregou o filme que queríamos assistir — O Menino Que Descobriu o Vento — em seu respectivo notebook. Em sincronia, iniciamos as duas versões do filme precisamente no mesmo momento para assisti-lo juntos.

Veja, já tínhamos feito isso antes, cada um assistindo o conteúdo em seu idioma alvo. Porém, havia uma grande desvantagem nessa abordagem: ninguém recebia cafuné.

Passo a passo, descobrimos um esquema bem melhor. Mantivemos nossos respectivos fones em nossos ouvidos – meu áudio em francês, o áudio dela em inglês. No entanto, como os filmes estavam perfeitamente sincronizados, ela conseguia assistir na tela do meu computador, mantendo os fones conectados ao computador dela. Uma só tela, duas fontes de áudio em idiomas distintos.

Eis, então, a resposta ao dilema enfrentado por qualquer casal poliglota (mesmo em formação):

como assistir um filme ou série juntos, recebendo cafuné, cada um treinando a compreensão auditiva no seu idioma alvo atual.

É bem engraçado: eu assistindo em francês; ela assistindo em inglês; e eventualmente ambos comentando o filme numa mistura doida de inglês, francês e português. A cena, no nosso caso, é a seguinte:

Esse foi meu primeiro post do tipo “Insights e Experiências”, que pretendo intercalar com os posts mais gerais de orientações linguísticas nesse blog.

Agora, compartilhe comigo qualquer experiência interessante ou engraçada que você já teve na aquisição de idiomas com seu namorado ou namorada, cônjuge, familiar ou amigo, usando o formulário a seguir.

Pode escrever em português, inglês, espanhol ou francês. Se eu decidir publicar sua contribuição (com o seu consentimento), providenciarei a tradução para os demais idiomas.


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