Qual é o tamanho de grupo ideal para aprender idiomas? | Natural Language Institute

Como dominar um idioma para a vida inteira

BLOG

Qual é o tamanho de grupo ideal para aprender idiomas?

By Victor - 15/sep/2021 #Línguas e Educação

Quando se percebe que a função principal de aulas de idiomas é treinar a fala e receber feedback corretivo, é questão de aritmética simples entender que turmas menores equivalem a um aprendizado mais eficiente.

Vamos considerar uma aula de conversação de uma hora, bem administrada. Talvez o professor faça alguns comentários introdutórios e finais para motivar e orientar os alunos, que tomam, ao todo, 10 minutos de aula. Os outros 50 minutos são usados exclusivamente para os alunos falarem e para o professor fazer correções e dar feedback útil.

Se houvesse 2 alunos na turma, cada aluno teria 25 minutos de prática intensiva e muito valiosa[1] — supondo que o tempo seja dividido de forma igual[2]. Já se houvesse 5 alunos na turma, cada um teria em média 10 minutos de prática — 60% a menos, mas ainda uma quantidade razoável, especialmente se outros fatores, como custo e socialização, fizerem a experiência em geral valer a pena. Mas se houvesse 15 alunos na turma, eu diria "não perca o seu tempo", porque cada aluno teria pouco mais de 3 minutos de prática. Já em uma aula individual, o aluno teria os 50 minutos inteiros de prática intensiva e faria um progresso acelerado.

É simples assim.

Outros argumentos ou são baseados em premissas falsas, ou são meramente subjetivos ou de qualquer forma não estão relacionados à aquisição eficiente de idiomas.

Tradicionalmente, muitos cursos de idiomas, assim como a educação de forma geral, eram baseados no modelo do professor-especialista discorrendo e os estudantes ouvindo passivamente e tomando notas. Nessa abordagem, o tamanho da turma tem pouca importância, e inclusive é econômico ter turmas muito grandes.

Entretanto, esse modelo nunca fez sentido para a aquisição de idiomas, e é cada vez mais obsoleto para a educação em geral.

Ao contrário de uma matéria acadêmica, como história ou linguística, que você pode aprender, em grande medida, simplesmente ouvindo um bom professor discursando sobre ela, as línguas devem ser aprendidas por meio da prática engajada. Além disso, com o advento do YouTube e de outros meios de comunicação de massa, você pode assistir e ouvir aos melhores professores e especialistas dando palestras envolventes a qualquer momento, em casa e muitas vezes de graça, independentemente do assunto. Desse modo, o modelo tradicional universitário do professor-palestrante não faz mais sentido.

Na aquisição de idiomas, o principal motivo para ouvir os outros falar é para treinar o ouvido; mas é muito mais divertido — e, portanto, mais eficiente, uma vez que a sua atenção está totalmente centrada — assistir a filmes ou qualquer tipo de conteúdo audiovisual autêntico que lhe interessa do que ouvir um professor falando sem parar na frente de uma sala de aula. Mesmo que você esteja buscando motivação, gramática ou "dicas e truques" no idioma, é melhor obtê-los por meio de livros ou vídeos pré-gravados do que em aulas ao vivo em turmas grandes.

Algumas pessoas argumentam que é útil ouvir os erros de outros alunos sendo corrigidos. Esse raciocínio é impreciso. Sim, você pode aprender alguma coisa, mas na melhor das hipóteses, trata-se de uma forma extremamente ineficiente de melhorar sua fluência. Na pior das hipóteses, você vai assimilar os modos imprecisos de expressão de outros estrangeiros — e essa é a última coisa que você quer.

Outro argumento dado para evitar aulas individuais ou em grupos muito pequenos é o prazer social da conversa animada. Essa preferência é completamente válida em termos de fazer amizades e se divertir, mas não tem nada a ver com o aprendizado eficiente de idiomas.

Talvez o argumento mais importante em favor de turmas maiores seja a redução de custos. Se somado à motivação de socialização e diversão, ter aulas com um punhado de outros alunos pode, de fato, fazer muito sentido. Você consegue um curso e professor excelentes, a baixo custo, enquanto faz amizades e progride de forma consistente. Porém, existe um limite para essa linha de raciocínio.

Prefiro, de longe, pagar até 15 vezes mais por uma aula particular do que um valor muito mais baixo pela mesma aula com outros 14 alunos. Embora em ambos os casos eu fosse pagar o mesmo valor por minuto de prática intensiva — isto é, eu falar e receber feedback — devo também contabilizar o custo do meu próprio tempo.

Com efeito, eu não faria aulas regulares com mais 14 alunos mesmo que fossem de graça, simplesmente porque meu tempo é valioso demais para gastar (conforme o exemplo acima) 42 minutos ouvindo os erros de outros alunos apenas para conseguir 3 minutos de prática intensiva. Minha aquisição linguística se beneficiaria muito mais se eu passasse a mesma hora lendo um livro ou assistindo a uma série na Netflix.

Então, qual é o tamanho ideal de uma turma? Se você quiser maximizar seu tempo, é de apenas 1 aluno — ou seja, você e o professor. Se você curte a interação social de aulas em grupo, então um tamanho de turma entre 2 e 6 alunos é razoável: só lembre-se de que você precisará aumentar proporcionalmente o número de horas de aula para receber a mesma quantidade de prática intensiva (que é de suma importância), e assim fazer o mesmo progresso.

Por último, não se esqueça que a maior parte de sua aquisição linguística pode ocorrer fora das aulas, já que você pode treinar a leitura, escuta, escrita e atividades de revisão sozinho em seu próprio tempo. As aulas são necessárias para melhorar sua fala e receber feedback corretivo.

[1] A teoria da prática deliberada ajuda a explicar a importância de se falar enquanto recebe correções e feedback de professores treinados, profissionais, e, de preferência, falantes nativos.

[2] É claro que, na realidade, estudantes mais extrovertidos costumam falar mais, enquanto estudantes tímidos ou muito educados podem ter menos tempo de prática.


See other blog posts

Logo Whatsapp