Automatize e mantenha o domínio linguístico por meio de atividades de revisão | Natural Language Institute

Como dominar um idioma para a vida inteira

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Automatize e mantenha o domínio linguístico por meio de atividades de revisão

By Victor - 15/oct/2021 #Línguas e Educação

Se você acompanha meu blog, já sabe que sua dieta linguística deve incluir uma abundância de nutrientes dos quatro "grupos de alimentos" linguísticos: escuta, leitura, escrita e fala. Porém, para progredir de forma constante e eficiente, você deve acrescentar, ainda, mais um tipo de atividade à sua ingestão linguística equilibrada: a revisão do seu conteúdo pessoal de vocabulário, gramática e pronúncia.

Dominar um idioma implica em adquirir uma vasta quantidade de conhecimentos.

Infelizmente, não basta memorizar algumas centenas de estruturas gramaticais e alguns milhares de palavras com suas respectivas pronúncias. Se isso fosse suficiente, os primeiros computadores teriam sido capazes de usar a linguagem natural; porém, na realidade, mesmo com os incríveis avanços recentes no processamento de linguagem natural, até hoje os computadores não alcançaram um nível de competência similar ao dos humanos. Aprender um idioma é um feito de uma complexidade incalculável.

Para começar a entender essa complexidade, considere o vocabulário. Não basta aprender o significado de uma palavra; é preciso compreender suas múltiplas nuances e conotações, e quais verbos, adjetivos e preposições são apropriados para ligá-la a outras palavras em cada contexto. Quanto à gramática, memorizar regras e suas infindáveis exceções é de pouca utilidade. Em vez disso, você deve se familiarizar profundamente com os padrões gramaticais e desenvolver intuição linguística por meio do contato significativo com dezenas de milhares de exemplos.

É um pouco como o jogo de xadrez: as peças e movimentos são relativamente simples de aprender, mas as combinações que você precisa entender para se tornar proficiente são quase infinitas (há mais partidas de xadrez viáveis do que átomos no universo; sem dúvida o mesmo poderia ser dito sobre combinações linguísticas viáveis).

Para desenvolver essa intuição, venho repetindo que você deve ler e ouvir uma grande quantidade de material autêntico.

Mas não é só isso. É preciso então converter esse conhecimento em proficiência ativa, para ser capaz de produzir linguagem de forma criativa. Você também precisa testar e refinar constantemente sua intuição.

Para isso, é importante escrever e conversar com nativos que corrijam seus erros. Por meio desse tipo de "prática deliberada", você poderá refinar sua proficiência continuamente, tal como um estudante de música domina seu instrumento tocando com músicos proficientes e recebendo seu feedback. Essa prática também é essencial para desenvolver a capacidade ativa de comunicação.

Porém, para realmente dominar um idioma, é necessário um passo adicional: automatizar os conhecimentos. Você deve ser capaz de expressar qualquer ideia — com o vocabulário apropriado, pronúncia exata e gramática correta — instantaneamente, sem recorrer a um processo consciente de construção de frases.

É para desenvolver essa capacidade automática — fixando os conhecimentos linguísticos na sua memória de longo prazo, mas de acesso instantâneo — que o seguinte quinto aspecto do estudo de idiomas merece igual atenção e tempo que as quatro habilidades básicas:

Revisão intensiva de conteúdos e correções de vocabulário, pronúncia e gramática apropriados para o nível do aluno e derivados de um contexto comunicativo pessoal.

Examinemos esse conceito chave com mais detalhe.

A revisão aproveita o poder da repetição, um fator decisivo na aquisição de idiomas. A maioria dos alunos, como eu, precisa ouvir uma palavra nova pelo menos dez vezes, em várias ocasiões, para aprendê-la. Portanto, a revisão intensiva permite a assimilação muito mais rápida de conteúdos e correções prioritários.

Contanto que os conteúdos e as correções sejam selecionados de acordo com o nível, a  revisão intensiva torna a aquisição linguística mais eficiente, permitindo um progresso contínuo e cumulativo na proficiência. E o que significa “nível apropriado”? Resumidamente, um conteúdo é de nível apropriado se o aluno ainda não o dominou e não é muito avançado. Mais precisamente, deve corresponder ao nível atual do aluno ou estar um pouco acima disso; ou deve preencher uma lacuna de conhecimento — isto é, estar abaixo do nível atual do aluno, mas ainda faltando ser dominado.

Derivar conteúdos do contexto comunicativo pessoal do aluno é uma forma de garantir que eles ainda não foram dominados. Se você preparar, de antemão, uma lista de vocabulário ou de estruturas gramaticais para um aluno aprender, corre o risco de perder tempo ao incluir conteúdos que ele já conhece muito bem. Esse risco não existe se você escolher conteúdos com base nas deficiências que você identifica na própria fala e escrita do aluno.

Há dois motivos ainda mais importantes para derivar os conteúdos de um contexto comunicativo pessoal. Em primeiro lugar, palavras, estruturas gramaticais, fonemas e mesmo frases inteiras carecem de sentido quando aparecem isoladamente; e, de qualquer forma, não têm qualquer nexo com a vida real quando desprovidos de contexto. Aprender elementos de uma língua de forma isolada é pouco efetivo porque, ao contrário de conteúdos comunicativos da vida real, não favorece a construção das intricadas conexões neurais necessárias para o domínio linguístico.

Em segundo lugar, o contexto pessoal — o fato de que o aluno queria expressar algo em uma conversa ou por escrito e precisava desse conteúdo para isso — fornece uma conexão emocional com o conteúdo. Isso é incrivelmente importante porque sabemos que as emoções são poderosos catalisadores para a aprendizagem e especialmente vitais para a retenção a longo prazo.

É por esse motivo que eu não recomendo que os alunos memorizem listas de vocabulário ou regras gramaticais[i].

Esse tipo de "revisão" não é eficaz porque a retenção é péssima. Você pode ser capaz de memorizas algumas centenas de palavras de vocabulário com alguns dias de esforço, mas seis meses depois você terá esquecido quase tudo que aprendeu dessa maneira. Porém, se você aprender essas mesmas centenas de palavras em contextos comunicativos reais e pessoais, e em seguida as revisar de forma intensiva, é provável que você se lembre da grande maioria, mesmo anos depois.

Desse modo, uma das fórmulas mais importantes e originais do método do Natural Language Institute é extrair conteúdos apropriados para o nível dos alunos de sua produção oral e escrita — por meio de aulas de conversação e redações —, fazendo que professores nativos façam a seleção e registro desses conteúdos e disponibilizando-os para que os alunos os revisem de forma dinâmica e intensiva.

Quando os alunos aproveitam este método e revisam regularmente seus conteúdos, o conhecimento linguístico se torna automatizado e profundamente arraigado. Eles começam a usar as estruturas gramaticais, pronúncia e vocabulário corretos em tempo real, enquanto falam ou escrevem, e retêm essa habilidade a longo prazo. Consequentemente, conseguem regularmente acrescentar novos conteúdos e continuamente alcançar novos picos de domínio linguístico.

Nos próximos posts, examinaremos as ferramentas específicas usadas no Natural para transformar conversas e escrita em uma mina de ouro para consolidar, automatizar e reter o domínio linguístico.

Até lá, você pode conhecer nossas ferramentas de revisão marcando uma entrevista com nossos linguistas.

[i] Como sempre, há exceções. A mais importante é que os iniciantes em um idioma (que não falam outra língua tão similar que permitiria captar o vocabulário a partir do contexto) geralmente fazem bem ao memorizar algumas centenas das palavras mais frequentes nesse novo idioma e aprender alguns padrões gramaticais básicos, como ponto de partida.


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